quarta-feira, agosto 19, 2026
HomeDestaquesRecurso ao STF traz pouca esperança para reversão da decisão do rol...

Recurso ao STF traz pouca esperança para reversão da decisão do rol taxativo da ANS

Karina Anunciato

As regras que normatizam os procedimentos obrigatórios fornecidos pelos planos de saúde são descritas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Este ano, a discussão em torno do que é obrigatório e o que é facultativo – que é a opção de não fazer – pelos convênios, ganhou força chegando até o STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Anaísa Banhara, advogada (Foto: Karina Anunciato)

No judiciário, a 2ª Turma do STJ decidiu que os procedimentos são taxativos. A implicação desta decisão é que a partir de agora as operadoras somente são obrigadas a cobrir aquilo que consta na lista definida pela agência reguladora. 

Em entrevista ao Jornal das Sete, a advogada especialista em tutelas de urgência contra Planos de Saúde e Entes públicos, Anaísa Banhara, falou sobre o lobby econômico por trás da decisão e o prejuízo – financeiro e social – para o usuário de convênios.

“Via de regra o plano é obrigado a fornecer apenas o que está neste rol e se a pessoa quiser contratar uma cobertura mais ampla, uma cobertura do plano de saúde, de procedimentos, tratamentos e medicamentos que não estejam neste rol, ela pode fazer um aditivo com o plano, pagar bem mais. Aí vocês já entendem qual o interesse econômico em volta deste lobby, dessa decisão do STJ. O plano de saúde só vai ser obrigado a fornecer um tratamento que estiver fora deste rol da ANS quando: não tiver um tratamento para certa doença naquele rol, ou quando o beneficiário já se utilizou de todos os tratamentos que tem lá e não teve eficácia, logo a gente percebe que quem precisar de uma tutela de urgência vai padecer”.  

Além disso, a especialista ressaltou que a decisão promove um efeito cascata, pressionando ainda mais o SUS (Sistema Único de Saúde).

“A decisão do dia 8 de junho é um completo desserviço. É na verdade um luto antecipado para beneficiários de plano de saúde, além de sobrecarregar a fila do Sistema Único de Saúde”.  

No entanto, esta decisão não é definitiva. Existe a chance de recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal). A relatoria do caso, está nas mãos do ministro Luís Roberto Barroso. Para Anaísa, embora exista um fio de esperança, o que se tem de experiência – a exemplo daquilo que aconteceu com o SUS sobre a taxatividade do serviço – é pela manutenção da primeira decisão.

“A exemplo do que ocorreu com o SUS, há uns 3 anos, a questão foi submetida ao STF e esta taxatividade foi mantida. Então, eu não tenho muita esperança. Tudo bem que aqui (SUS) a gente tá falando de verba pública, e ali (planos de saúde) verba privada – talvez o STF leve isso em conta. Mas de verdade eu não tenho tanta perspectiva assim”.

A expectativa é de uma nova manifestação da justiça saia em um mês.

A entrevista completa com Anaísa Banhara você confere aqui:

RELATED ARTICLES
- Advertisment -
Google search engine

Most Popular